CD ENSP debate temas do aniversário, portfólio de pesquisa e Jornada Acadêmica Discente da Escola

Por Danielle Monteiro

A reunião do Conselho Deliberativo (CD) da ENSP, realizada em 25 de agosto, debateu os temas do 72º aniversário, o novo portfólio de pesquisa e a 3ª Jornada Acadêmica Discente (JAD) da Escola. O reposicionamento da Fiocruz como instituição estratégica de Estado também foi discutido.

As atividades comemorativas dos 72 anos da ENSP, que seguem até 4 de setembro, foram apresentadas na abertura do encontro pelo diretor da Escola e terão como tema as emergências climáticas e o enfrentamento às desigualdades estruturais no país. Segundo Marco Menezes, a programação aborda questões relacionadas à agenda de mudanças climáticas e seus efeitos sobre a saúde pública e busca estimular as reflexões acerca dos desafios colocados neste cenário. Ele adiantou que estas reflexões subsidiarão o projeto que a ENSP está construindo para discutir a nova regulamentação da profissão de sanitarista e a atualização necessária para a formação destes profissionais. Um CD Extraordinário deverá ser convocado para debater o projeto.

O diretor ainda abordou a carta da Fiocruz com contribuições para as eleições de 2026, lançada em 24 de agosto e construída com participação da ENSP. O documento aponta prioridades para um Brasil mais justo, saudável e preparado para o futuro, indicando o porquê a saúde precisa estar no centro das escolhas eleitorais.

Novo portfólio de pesquisa: um retrato da produção científica na Escola

A vice-diretora de Pesquisa e Inovação (VDPI), Andrea Sobral, e o analista da Vice-Direção, Iury Coimbra, apresentaram o protótipo do Portfólio de Pesquisa da ENSP, ferramenta que busca ampliar e qualificar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas na Escola. 

Segundo Andrea, o módulo apresentado é apenas a primeira fase de uma iniciativa mais ampla, que ainda passará por atualizações. A vice-diretora destacou que o material já foi compartilhado com o Colegiado de Pesquisa, a Direção e as Vices-Direções antes de ser apresentado ao CD.

Como sugestões de aprimoramento da ferramenta, feitas pelos conselheiros, foram citadas a atualização constante dos currículos Lattes, a qualificação do conceito de parceria, a inclusão de novas fontes de dados e a incorporação de outras informações importantes, como a presença da ENSP nos territórios e sua relação com os movimentos sociais. Foi destacado que o lançamento do portfólio poderá ser uma oportunidade para traduzir essas demandas de forma mais unânime e equitativa entre os gestores.

A próxima etapa ocorreu em 1º de setembro, quando o protótipo será exibido aos pesquisadores da Escola e liberado para uso interno, a fim de receber sugestões, identificar possíveis inconsistências e incorporar melhorias antes do lançamento final.

Iury explicou que a ferramenta foi desenvolvida a partir da identificação de diversos grupos de pesquisa ativos na ENSP e do potencial de compartilhamento de recursos humanos, ideias e expertise entre eles. A proposta é organizar essas informações por grandes áreas e temas de pesquisa, tendo como uma das referências os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), vocabulário padronizado que permite organizar e recuperar informações na área. 

O protótipo integra dados provenientes de quatro tabelas (servidores, projetos, grupos de pesquisa e linhas de pesquisa dos grupos), sendo que as duas últimas são extraídas do espelho disponível no diretório de pesquisa do CNPq. O intuito é estabelecer correlações entre esses conjuntos a partir de dados obtidos dos currículos Lattes, os quais são atualizados diariamente.

A ferramenta permite pesquisar por palavras-chave e visualizar os projetos relacionados ao termo, seja no título, na descrição ou nos DeCS. Ao acessar um projeto, o usuário pode consultar seus dados e todos os membros envolvidos, sejam da ENSP ou de outras instituições, com os pesquisadores da Escola identificados de forma diferenciada. Também é possível acessar perfis de pesquisadores, grupos e linhas de pesquisa e visualizar conexões entre eles.

Atualmente, o protótipo reúne informações sobre projetos, membros pesquisadores de grupos de pesquisa da ENSP e linhas de pesquisa autodeclaradas no Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP). A ferramenta também contempla o mapeamento de parcerias nacionais e internacionais, com mapas e informações sobre as instituições vinculadas à Escola. 

A vice-diretora ressalta que, no momento, estão sendo estudadas outras formas de extração de dados por meio do currículo Lattes para identificar as instituições parceiras. Isso porque a utilização exclusiva do DGP tem levado à subestimação dessas parcerias, uma vez que alguns grupos não realizam o registro adequado. Paralelamente, pretende-se explorar as publicações científicas como fonte complementar, extraindo autores e suas respectivas instituições de origem. O protótipo, por sua vez, atende aos padrões do governo federal e observa os requisitos de acessibilidade e inclusão.

A proposta é que a etapa de validação contribua para identificar essas lacunas e orientar os próximos módulos do portfólio.

3ª Jornada Acadêmica Discente: múltiplos caminhos para pensar a saúde

A coordenadora da Jornada Acadêmica Discente da ENSP (JAD), Líllian Silva, informou que a edição deste ano será realizada nos dias 30 de setembro, 1º e 2 de outubro, com programação voltada principalmente aos discentes da Escola. 

As inscrições devem ser feitas por meio do Campus Virtual. Podem participar, como ouvintes externos, o público em geral, não estudante da ENSP, e, como ouvintes internos, alunos com matrícula ativa e egressos dos últimos dez anos. As inscrições para ouvintes seguem até 26 de setembro. Já a submissão de trabalhos, exclusiva para alunos com matrícula ativa e egressos dos últimos dez anos, encerra em 5 de setembro e contará com avaliação por pares em sistema duplo-cego.

A programação vai incluir temas como biodiversidade, emergências climáticas, desastres, desigualdades socioambientais e saúde, fauna como sentinela, contaminantes emergentes, além de discussões sobre o papel do sanitarista, apresentação oral dos trabalhos selecionados e exposição de pôsteres. “A ideia é que, nos três dias, possamos debater pautas contempladas nos cursos da escola”, explicou Líllian.

A JAD contará ainda com atividades culturais, como a Feira Preta, a Feira Josué de Castro, o Focinhos do Castelo e uma roda de samba no encerramento. Segundo Lillian, a atividade será majoritariamente presencial. Por questões de logística, a participação on-line será permitida a discentes que estejam fora do Rio de Janeiro e a alunos de cursos de lato e/ou stricto sensu profissional.

Nas intervenções dos conselheiros, foi sugerido que a programação também contemple a discussão sobre a preparação e a resposta dos sistemas e serviços de saúde às emergências, incluindo aspectos estruturais, condições e atuação dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, financiamento e iniciativas relacionadas ao tema. Foi proposto ainda que a roda de samba seja aberta à comunidade institucional.

Reposicionamento institucional: atualizações movimentam a discussão

Ao abordar o reposicionamento da Fiocruz como instituição estratégica de Estado para a saúde, o diretor relembrou os debates sobre o tema no processo do Congresso Interno, realizados na Escola desde janeiro. Ele atualizou o Conselho sobre o andamento da proposta, destacando a existência de diferentes posicionamentos em torno da pauta. Entre os pontos ainda em discussão, estão questões relacionadas ao Regime Jurídico Único (RJU) e à carreira, além do contrato de gestão, da possibilidade de adoção do modelo de agência executiva e do papel de uma eventual fundação estatal subsidiária.

O diretor informou ainda que a proposta de projeto de lei (PL) em discussão foi encaminhada à Casa Civil, que sinalizou concordância com a continuidade da análise na esfera do Executivo, mas apontou a necessidade de uma discussão com o Ministério da Saúde, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Advocacia-Geral da União (AGU). Na reunião extraordinária do Conselho Deliberativo da Fiocruz, em 20 de agosto, ficou definido que uma comissão do CD acompanhará a Presidência da Fiocruz nessa discussão. A plenária do Congresso Interno que vai deliberar sobre os próximos encaminhamentos ainda não tem data definida, e a comissão ainda não se reuniu. 

Menezes destacou ainda que a delegação da ENSP no Congresso Interno realizou uma reunião, em 12 de agosto, para discutir o tema e que a Escola tem defendido o aprofundamento da análise de riscos sobre a possibilidade de encaminhamento de uma proposta neste momento. “A conjuntura nacional deverá ser considerada nos próximos debates, enquanto o Conselho aguarda a formalização do posicionamento da Casa Civil”, defendeu.

Na interlocução com os conselheiros, houve apontamentos sobre a necessidade de maior participação institucional na formulação do texto do PL e de adequação dos espaços participativos da instituição no encaminhamento da proposta. Foi defendida uma discussão mais aberta sobre o tema e destacada a importância de prudência diante do cenário nacional e dos riscos relacionados aos próximos encaminhamentos, além da necessidade de considerar as mobilizações e os questionamentos existentes. As falas também ressaltaram a mobilização de trabalhadoras e trabalhadores da ENSP em torno das discussões sobre o tema.

Informes

- A Direção reafirmou o compromisso da Escola e da Fiocruz com a busca de soluções para os discentes afetados pela desocupação do alojamento estudantil no Centro de Referência Professor Hélio Fraga, em decorrência do agravamento da violência armada no território. Foi reforçado que ninguém será obrigado a deixar o local imediatamente por não ter condições financeiras de arcar com uma alternativa de moradia ou por depender de uma rede de proteção formada no próprio alojamento. A Direção também destacou que a desmobilização do espaço está sendo discutida pela Fiocruz e que a medida não significa o abandono do Hélio Fraga. Entre as medidas em discussão estão melhorias na iluminação e o fortalecimento dos mecanismos de comunicação para situações de violência. O tema também deverá voltar a ser discutido no Conselho Deliberativo da Fiocruz, com a participação dos discentes.

- O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) desenvolveu uma agenda de atividades para setembro, com destaque para ações relacionadas à saúde mental, prevenção do suicídio e às relações entre saúde, trabalho e ambiente. Entre elas, está o seminário internacional Saúde, Trabalho e Ambiente, Brasil-Portugal, que será realizado no dia 9, além da oficina de discussão sobre um acordo de cooperação entre a Universidade Nova de Lisboa e o Cesteh, fechada ao público, no dia 10. Será realizado ainda o encontro Entre o sofrimento e a vida: saúde mental, trabalho e prevenção do suicídio, marcado para o dia 28.