Conselho Editorial de CSP debate desafios e perspectivas para a publicação científica

*Por Clara Guimarães (CSP)

Encontro reuniu Editoras-chefe e Editores Associados para discutir qualidade e originalidade da produção científica, internacionalização, diversidade, Ciência Aberta, inteligência artificial, revisão por pares e divulgação científica

O Corpo Editorial de Cadernos de Saúde Pública (CSP) reuniu-se em 6 de agosto, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), para fazer um balanço das atividades do periódico e discutir desafios e perspectivas para a publicação científica. Conduzido pelas Editoras-chefe Marilia Sá Carvalho, Luciana Correia Alves e Luciana Dias de Lima, o encontro reuniu, de forma presencial e remota, cerca de 35 Editores Associados de diferentes estados e regiões do Brasil e do exterior.

A programação abordou questões que vêm mobilizando a política editorial de CSP e o campo da publicação científica. Qualidade e originalidade dos manuscritos, internacionalização, diversidade, Ciência Aberta, inteligência artificial (IA), indicadores, revisão por pares e divulgação científica estiveram entre os temas apresentados e debatidos, tendo como eixo comum o papel da revista na circulação de conhecimento relevante e na promoção de novos debates no campo da Saúde Coletiva.

Na abertura, a coeditora-chefe Marilia Sá Carvalho retomou a provocação do Editorial “Mais do Mesmo?” para discutir o crescimento da produção científica e o desafio de identificar contribuições originais em meio ao elevado volume de pesquisas publicadas. A reflexão sobre o chamado “ruído informacional” colocou em debate os limites de um modelo de produção fortemente orientado por indicadores quantitativos.

A internacionalização foi abordada para além da publicação em inglês e dos indicadores tradicionais de impacto, com ênfase na circulação e no reconhecimento do saber produzido no Brasil, na América Latina, na África e em outros contextos do Sul Global. A discussão apontou caminhos, como mapear pesquisadores e públicos de diferentes países, fortalecer a presença de CSP em espaços científicos internacionais e ampliar a participação de Editores Associados estrangeiros.

Outro eixo do encontro foi a diversidade na publicação científica. Dados sobre gênero e raça/cor entre os autores permitiram identificar grupos ainda pouco representados, com destaque para a baixa participação de autores indígenas. A partir desse diagnóstico, foram discutidas estratégias para que CSP amplie sua aproximação com pesquisadores e redes historicamente sub-representados, favorecendo a chegada de novos trabalhos e a diversificação das perspectivas presentes no periódico.

Na sequência, a coeditora-chefe Luciana Dias de Lima apresentou as iniciativas relacionadas à Ciência Aberta. CSP adota o modelo de Acesso Aberto diamante, viabilizado pelo apoio da ENSP/Fiocruz, e já incorpora práticas como a aceitação de preprints, a identificação dos Editores Associados responsáveis pelos artigos e a possibilidade facultativa de identificação dos pareceristas. Também foram retomados os resultados do inquérito promovido pela revista sobre revisão por pares aberta, que reforçaram a importância de manter o diálogo com a comunidade científica antes da adoção de novas mudanças no processo editorial.

As implicações da IA generativa para a publicação científica também estiveram em pauta e foram expostas pela coeditora Luciana Correia Alves. Foram apresentadas as regras adotadas por CSP para autores e pareceristas, que contemplam seu uso em atividades como aprimoramento da redação e tradução, desde que sejam informadas. Na avaliação por pares, ressaltou-se a necessidade de assegurar a confidencialidade dos manuscritos. Ao mesmo tempo, o debate trouxe outras possibilidades de aplicação dessas tecnologias, inclusive como apoio à acessibilidade e à redução de barreiras linguísticas na escrita e na comunicação científica.

No período da tarde, as discussões voltaram-se à divulgação científica e ao fortalecimento do “ecossistema CSP”. Foram explicadas as ações desenvolvidas pelo periódico e as novas frentes de atuação, entre elas a parceria jornalística com The Conversation Brasil, o programa audiovisual “Fala, Editora!” e os novos projetos previstos para este ano.

A apresentação mobilizou propostas dos Editores para ampliar a circulação desses conteúdos, como investir em linguagem simples e em materiais destinados a públicos não especializados, aprimorar recursos de acessibilidade e fortalecer a articulação com repositórios e outros espaços da Fiocruz. Também foi destacada a possibilidade de ampliar as estratégias colaborativas de divulgação, envolvendo autores e Editores Associados na circulação dos conteúdos publicados.

Os desafios do fluxo editorial completaram a programação, com atenção especial à revisão por pares e à dificuldade de recrutamento de pareceristas. Foram discutidas formas de reconhecer a contribuição dos avaliadores, de compartilhar o desfecho dos processos editoriais e de reforçar o caráter formativo da avaliação.

Ao final, o Corpo Editorial retomou uma questão que atravessou diferentes momentos da reunião: como atrair bons artigos e, simultaneamente, estimular trabalhos capazes de abrir novas frentes de discussão na Saúde Coletiva? Entre os caminhos apontados estiveram a identificação de temas emergentes, a aproximação com pesquisadores e redes estratégicas e a realização de oficinas voltadas à construção de futuros Espaços Temáticos.

Mais do que responder de forma definitiva à questão, o encontro permitiu reunir perspectivas e propostas para orientar os próximos passos de CSP diante das transformações em curso na comunicação e na publicação científica.