Atividade apresentará projetos da ENSP/Fiocruz voltados a pescadoras, marisqueiras e catadoras de materiais recicláveis
As relações entre emergências climáticas, desigualdades socioambientais, condições de trabalho e saúde das mulheres estarão no centro da programação dos 72 anos da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz). No dia 3 de setembro, às 14h, será realizada a mesa “Colapso climático e desigualdades socioambientais: impactos nos territórios, no trabalho e na vida das mulheres”, que reunirá representantes de diferentes territórios e áreas de atuação para discutir os efeitos da crise socioambiental sobre trabalhadoras e comunidades. O debate também será transmitido pelo Zoom, com capacidade máxima de 300 participantes, sujeita à lotação da sala. Haverá tradução para Libras.

A atividade apresentará dois projetos desenvolvidos pela ENSP/Fiocruz em parceria com a Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres. As iniciativas investigam como as desigualdades de gênero e raça, em territórios urbanos e ribeirinhos, se relacionam às condições de saúde, trabalho e vida de catadoras de materiais recicláveis, marisqueiras e pescadoras artesanais.
Um dos projetos é o 'Mulheres Pescadoras de Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental', que articula ciência, saberes tradicionais e justiça socioambiental para investigar os efeitos da contaminação por mercúrio e metais pesados, da exposição a agrotóxicos, da crise hídrica, das mudanças climáticas e dos conflitos territoriais sobre comunidades pesqueiras artesanais. Entre as ações previstas estão a constituição da rede Guardiãs das Águas, oficinas e seminários nacionais, estudos epidemiológicos, cartografia social e o mapeamento georreferenciado de áreas de desastre socioambiental. As próprias pescadoras participam da produção de diagnósticos e da formulação de propostas de políticas públicas.
O segundo projeto, 'Racismo Ambiental e Climático: Análise das Condições de Trabalho e Monitoramento das Ilhas de Calor e Frio em Territórios de Catadoras de Materiais Recicláveis no Paraná', desenvolve análises de geoprocessamento e cartografia social participativa em municípios paranaenses. O trabalho contribui para a construção do Indicador Socioterritorial de Racismo Ambiental (ISRA) e para a compreensão dos impactos das mudanças climáticas nos territórios das catadoras. O projeto também acompanha os trajetos realizados pelas trabalhadoras, monitora as condições microclimáticas e identifica ilhas de calor e frio, articulando dados ambientais, territoriais e de saúde.
Territórios, trabalho e desigualdades
A mesa parte da compreensão de que os impactos das mudanças climáticas não se distribuem de maneira uniforme. Para mulheres que vivem e trabalham em territórios pesqueiros, comunidades tradicionais e áreas urbanas marcadas por desigualdades socioambientais, eventos climáticos e transformações ambientais podem se somar a condições históricas de precarização do trabalho, racismo ambiental, conflitos territoriais e dificuldades de acesso a direitos.
Nesse sentido, a atividade busca aproximar a produção científica das experiências e dos conhecimentos construídos pelas próprias trabalhadoras. A participação de representantes das pescadoras, marisqueiras e catadoras permite colocar em diálogo diferentes formas de conhecimento sobre os territórios e sobre os efeitos das transformações ambientais na saúde e nos modos de vida.
A mesa de abertura contará com a participação do diretor da ENSP/Fiocruz, Marco Menezes, do ex-diretor da ENSP, Hermano Castro, e do Vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel. A pesquisadora da Escola Maria Juliana Moura Corrêa, coordenadora dos projetos, mediará e coordenará a mesa.
Entre as participantes estão Diva Helena Nogueira Miyazak, pescadora da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA) e representante das Guardiãs de Conhecimentos e Saberes dos Povos das Águas; Luena Maria Ferreira dos Santos, pescadora da etnia Pataxó e diretora da APIB no Fórum para a Promoção de Estratégias de Fortalecimento de Políticas Públicas de Autonomia Econômica e Cuidado com Mulheres da Pesca, Aquicultura Artesanal e Marisqueiras; Lindaci Maria Gonçalves, diretora-presidente da Cooperativa de Trabalho de Catadores de Material Reciclável Erick Soares (COOCARES) e representante do Fórum para Promoção da Autonomia e Inclusão Socioeconômica de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis; e Maria Rocineide Ferreira da Silva, da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. As duas iniciativas, assim como os fóruns e a rede de conhecimentos mencionados na programação, estão relacionadas à atuação da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres.
A programação terá início com a exibição do vídeo “Às Margens do Clima: o colapso climático sobre os corpos e territórios das pescadoras e catadoras”, que apresenta parte das questões abordadas pelos projetos.
A atividade integra a programação dos 72 anos da ENSP, que neste ano tem como tema “Emergências Climáticas e Desigualdades”. Ao longo da programação de aniversário, a Escola promove discussões sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde e sobre os desafios colocados para a saúde pública diante de diferentes formas de vulnerabilidade socioambiental.
Serviço
Mesa: Colapso climático e desigualdades socioambientais: impactos nos territórios, no trabalho e na vida das mulheres
Data: 3 de setembro de 2026
Horário: 14h
Local: Auditório Térreo da ENSP/Fiocruz
Programação: exibição do vídeo 'Às Margens do Clima: o colapso climático sobre os corpos e territórios das pescadoras e catadoras', seguida de mesa de debate.
*Com informações de Luiza Trindade, do Cesteh/ENSP.