
O Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (GT/PICS) da ENSP apresentou relatório final em 3 de junho, com balanço de cinco anos de atuação e diagnóstico para a consolidação das PICS.
*Por Isabelle Ferreira (estagiária de jornalismo), com informações do GT/PICS da ENSP
Marcando a agenda de Saúde Integral e articulando parceria, construção coletiva e apoio institucional, o Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (GT/PICS) da ENSP apresentou, em 3 de junho de 2026, seu relatório final. O documento reúne um balanço dos cinco anos de atuação do grupo e um diagnóstico sobre a implementação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) na Escola.
O relatório resgata o histórico de implementação das PICS na ENSP e apresenta o legado construído pelo Grupo de Trabalho ao longo do período. O documento também aponta os desafios estruturais para a consolidação do Espaço PICS no ambiente institucional.
Valorização do cuidado integrativo na Escola
Criado em 2020, o Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (GT/PICS) da ENSP baseou sua atuação nas diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS, em articulação com outras políticas públicas de saúde e equidade. A iniciativa teve como um de seus pilares o fortalecimento do Cuidado Integrativo.
Na ENSP, as ações do GT/PICS contemplaram trabalhadores e trabalhadoras, estagiários, estudantes e usuários dos três centros de referência da Escola: o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF), o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) e o Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF).
Nesse contexto, o Grupo de Trabalho ampliou a oferta de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, somando-se às ações que já eram desenvolvidas pelo CSEGSF. Entre as práticas ofertadas, estão: auriculoterapia, meditação, reiki, imposição de mãos, Terapia Comunitária Integrativa (TCI), aromaterapia e Terapia Floral.
As atividades foram realizadas nas na modalidades presencial e remota, com destaque para o período da pandemia de Covid-19, de acordo com as especificidades de cada recurso terapêutico e as necessidades do público. A iniciativa também possibilitou a expansão das ações do campus Manguinhos para os campi Maré e Curicica.
Comunicação e sensibilização institucional
Na sequência, o Grupo de Trabalho adotou estratégias de comunicação e sensibilização, com o objetivo de ampliar o conhecimento e apoio institucional às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Sendo assim, foram realizadas reuniões com gestores e profissionais, além da produção de cartazes, folhetos e vídeos curtos, divulgados nos formatos impresso e digital.
O grupo destacou ainda a inserção das PICS em diferentes espaços institucionais, como: reuniões de departamento, atividades da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA/ENSP), aberturas de cursos e eventos e espaços de atendimento dos centros.
As ações também alcançaram o ambiente virtual, com a realização de ciclo de debates e a criação, em 2022, da playlist PICS no canal oficial da ENSP no YouTube. A iniciativa abordou temas, como reiki, meditação, aromaterapia, terapia floral, yoga e Terapia Comunitária Integrativa (TCI).
Cooperação entre ensino, pesquisa e qualificação profissional
O GT/PICS também realizou um levantamento dos profissionais formados em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e dos possíveis interessados em processos de qualificação. A partir desse diagnóstico, o grupo ampliou a oferta de vagas e promoveu capacitação em Aromaterapia e Terapia Comunitária Integrativa (TCI) para trabalhadores e trabalhadoras da ENSP.
A equipe também contribuiu para a formação de profissionais da instituição e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ). A articulação entre o GT e a Secretaria resultou ainda na ampliação do número de profissionais formados em Auriculoterapia, Reflexologia e Reiki.
“Mapeamos o potencial da Escola no que diz respeito às ações de ensino e pesquisa. Com isso, reafirmamos a instituição enquanto laboratório vivo. Constatamos também que há profissionais que participam de pesquisas nacionais sobre as PICS, contribuindo como ferramentas de aprimoramento no âmbito do SUS. Por isso, é fundamental o incentivo a terapeutas para que participem de congressos nacionais e internacionais, com relatos de experiência”, defendem os integrantes do GT.
Ainda no campo das PICS, o Grupo de Trabalho identificou a atuação de trabalhadores e trabalhadoras da ENSP, na coordenação de Unidades de Aprendizagem da Residência Multiprofissional e da Especialização em Cuidados Paliativos. Esses profissionais também participam de aulas, orientações, bancas examinadoras e iniciativas externas à instituição.
Outro aspecto identificado foi a articulação de profissionais da ENSP, em conjunto com o Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz. O centro é atualmente Centro Colaborador da OPAS/OMS para Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas em Saúde (MTCI) nas Américas. Segundo o GT, essa articulação contribuiu para a participação de profissionais em representações nacionais e internacionais relacionadas às PICS.
O Grupo de Trabalho destacou que as ações de PICS são estratégicas, porém ressaltou a necessidade de garantir sua continuidade, por meio da inserção das PICS no organograma da Escola e do aprimoramento permanente das iniciativas. Esse acompanhamento já é realizado pela Vice-Direção de Ambulatórios e Laboratórios de Saúde Pública (VDAL/ENSP), com o objetivo de estruturar um modelo de cuidado não medicamentoso voltado ao fortalecimento do SUS, de seus trabalhadores e trabalhadoras e da população.
“A apresentação do relatório final do Grupo de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da ENSP encerra um ciclo e aponta o fortalecimento desta iniciativa no presente e no futuro da instituição”, concluíram.
*Estagiária de jornalismo, sob a supervisão da equipe de jornalismo do 'Informe ENSP'.