JAD 2026 encerra programação com pesquisas sobre ambiente e saúde coletiva

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O diretor da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Marco Menezes, participou, ao lado do vice-diretor de Ensino, Gideon Borges, do encerramento da 3ª Jornada Acadêmica Discente (JAD), nesta sexta-feira, 2 de outubro. Com o tema “Biodiversidade em Transformação: conectando saúde, ambiente e sociedade”, o encontro reuniu discentes, egressos, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas da Saúde Coletiva durante três dias, no auditório térreo da Escola. 

Gideon abordou os desafios que as emergências sanitárias impõem à formação e à atuação profissional. Ele destacou a necessidade de oferecer respostas rápidas a fenômenos ainda pouco conhecidos, para os quais nem sempre há um conhecimento especializado disponível.  

“Classicamente, uma das características da profissão é a presença de um saber especializado”, afirmou. 

Ao comentar as inovações propostas pelo Ministério da Saúde, o vice-diretor avaliou que elas dialogam com um contexto em que diferentes saberes estão cada vez mais entrelaçados, trazendo novas exigências aos profissionais de saúde. 

Evellin Bezerra da Silva, diretora do Departamento de Gestão e Regulação do Trabalho na Saúde (DEGERTS), do Ministério da Saúde, destacou a importância de aproximar a produção acadêmica da gestão da saúde e das necessidades da população: 

 “Cada trabalho apresentado, cada debate e cada ideia compartilhada ao longo destes dias demonstram a força da ciência pública e a urgência de construirmos soluções integradas entre a pesquisa acadêmica e a gestão da saúde”. 

Evellin ressaltou ainda a articulação entre a formação promovida pela Fiocruz e as políticas públicas conduzidas pelo Ministério da Saúde. Segundo ela, essa relação deve contribuir para transformar o conhecimento técnico-científico em cuidado concreto e equitativo. Ao agradecer aos participantes, defendeu a continuidade do diálogo entre os territórios, a academia e a gestão pública. 

A doutora Ana Paula Cunha, EPSJV/Fiocruz, destacou, por sua vez, a importância dos bancos de dados para compreender de forma mais ampla os problemas de saúde. Ela mostrou como informações de diferentes áreas (entre elas, clima, uso do solo, água, condições de vida, biodiversidade, ocorrência de doenças e estrutura dos serviços de saúde) podem ser integradas para apoiar a investigação sobre a saúde das populações. Antes do cruzamento dessas informações, no entanto, é necessário verificar se os registros correspondem a territórios, períodos e escalas compatíveis, além de avaliar sua qualidade e cobertura. 

A pesquisadora também mostrou como a integração de diferentes bases pode subsidiar decisões de vigilância, planejamento e avaliação. Um dos exemplos apresentados foi o uso combinado de dados sobre mosquitos, primatas, ambiente, população, vacinação e casos humanos para estimar o risco de transmissão da febre amarela. Entre os fatores relevantes para prever a ocorrência da doença estão temperatura, precipitação, cobertura vacinal, densidade populacional e risco ambiental. 

As pesquisas apresentadas no último dia discutiram vulnerabilidades associadas à leishmaniose visceral humana, a relação entre condições climáticas e dengue, a presença de bactérias resistentes em esgotos hospitalares e o uso de vírus como indicadores de contaminação da água. 

Ao apresentar seu trabalho sobre leishmaniose visceral humana, Thainá Cerqueira, mestranda em epidemiologia em Saúde Pública da ENSP,  destacou a importância de observar, em escala local, as vulnerabilidades relacionadas à doença. A pesquisa registrou a coleta de 122 flebotomíneos, insetos que podem atuar como vetores da leishmaniose. 

A apresentação de Rafael Santos de Oliveira, doutorando em Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP,   tratou do super El Niño e de sua relação com a incidência de dengue. O pesquisador discutiu a associação entre o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e as taxas de incidência da doença. 

Rafael

Já a resistência aos antimicrobianos foi abordada por Lillian Oliveira Pereira da Silva, doutoranda em saúde pública e meio ambiente da ENSP, que avaliou amostras de esgoto de seis unidades de saúde do Rio de Janeiro: três hospitais assistenciais, duas maternidades e um centro de emergência. O estudo incluiu unidades com e sem estação de tratamento de efluentes e buscou identificar bactérias e seu perfil de resistência a diferentes classes de antibióticos. Lillian chamou a atenção para falhas no tratamento de efluentes e para a necessidade de monitorar a presença de bactérias resistentes nos esgotos hospitalares. 

Liliam falando

Doutoranda em saúde pública e meio ambiente da ENSP, Juliana Aparecida Souza da Paz apresentou uma pesquisa que defende o uso de vírus como indicadores da qualidade microbiológica da água. Ao discutir a avaliação baseada em indicadores bacterianos, a pesquisadora destacou que a alta detecção de crAssphage em seu estudo reforça o potencial desse vírus como indicador de contaminação fecal humana. 

Iniciada em 30 de setembro, a Jornada aproximou os cursos de pós-graduação Lato e Stricto Sensu da ENSP, com discussões sobre mudanças climáticas, urbanização, poluição, degradação ambiental e exploração dos recursos naturais. 

As desigualdades na exposição aos riscos e no acesso a serviços de saúde, saneamento e segurança alimentar também fizeram parte da proposta do encontro. Segundo a Comissão Organizadora, condições relacionadas a raça, gênero, classe social e território influenciam esses processos.