Por Júlia da Matta
A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) realizou, em 6 de agosto, em Brasília, a Mostra para Apresentação e Compartilhamento dos Resultados do Curso de Especialização em Gestão da Atenção Primária à Saúde nas Redes e Regiões de Saúde. A atividade marcou uma das etapas finais do percurso formativo e reuniu educandos, tutores, orientadores de aprendizagem, coordenação do curso e avaliadores convidados para apresentação e discussão dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs).
Ao longo do dia, os trabalhos foram apresentados em rodadas, intercaladas por atividades em plenária. A proposta permitiu que os participantes conhecessem diferentes experiências e microintervenções desenvolvidas durante a especialização e ampliassem a troca sobre desafios da gestão da Atenção Primária à Saúde (APS) em diferentes contextos.

Foto: Ana Karoline Freitas (Comunicação/MS)
Realizado pela ENSP/Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde, o curso teve como objetivo formar especialistas em gestão da APS nas redes e regiões de saúde e foi estruturado a partir dos desafios concretos enfrentados pelos trabalhadores em seus espaços de atuação. Ao longo de 12 meses, a formação combinou atividades a distância e presenciais e teve como elemento central a articulação entre os conteúdos trabalhados e a experiência profissional dos participantes.
Formação articulada ao cotidiano do trabalho
A abertura da Mostra contou com Eduardo Melo, vice-diretor de Escola de Governo em Saúde da ENSP/Fiocruz e coordenador da especialização, e Ana Claudia Cardoso Chaves, coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade do Ministério da Saúde.

Foto: Ana Karoline Freitas (Comunicação/MS)
Ao recuperar a trajetória do curso, Eduardo destacou que a proposta foi concebida desde o início para ultrapassar o formato de uma especialização centrada apenas na transmissão de conteúdos. “Essa especialização não foi pensada como um curso habitual. Ela tinha um pouco essa ideia de ser uma espécie de movimento, uma espécie de convite à reflexão e, especialmente, à ação”, afirmou.
Segundo ele, um dos compromissos da formação era produzir não somente aprendizados individuais, mas também repercussões nos processos de trabalho das equipes e instituições. Essa perspectiva orientou a opção por metodologias ativas, pelo trabalho em pequenos grupos e pela realização de microintervenções relacionadas às situações vivenciadas pelos próprios especializandos.
Ana Claudia ressaltou a importância de aproximar formação e prática profissional. “Quem mais precisa estar nos processos de formação é quem está exatamente no dia a dia do mundo do trabalho, seja na gestão, seja na atenção”, afirmou. Para ela, criar condições para que trabalhadores participem de processos de formação, educação permanente e pós-graduação é parte importante da qualificação das práticas de gestão e atenção à saúde.
Microintervenções dão visibilidade a diferentes desafios da gestão da APS
A diversidade dos trabalhos apresentados foi um dos aspectos destacados ao longo do encontro. Os TCCs abordaram temas como apoio institucional, gestão da informação, educação permanente, financiamento, saúde digital, participação social, saúde mental, envelhecimento, saúde indígena, comunicação em saúde, força de trabalho, organização das redes de atenção, violência e uso de informações e indicadores na gestão.
A programação foi organizada de modo que cada trabalho fosse apresentado a um avaliador convidado. Tutores e tutoras da especialização também acompanharam a atividade, que criou um espaço de diálogo sobre os processos desenvolvidos pelos educandos e sobre os possíveis desdobramentos das microintervenções. A variedade temática dos TCCs e sua relação com situações concretas da gestão da APS em diferentes territórios e níveis do sistema de saúde foram destacadas nas falas de avaliadores e da coordenação da especialização.

Foto: Ana Karoline Freitas (Comunicação/MS)
As reflexões produzidas nas apresentações foram retomadas em duas plenárias. A primeira reuniu Marcus Vinícius Bomfim Prates, gestor com atuação na Atenção Primária à Saúde na Bahia; Mariana Alves Melo, economista com trajetória em gestão e apoio institucional no SUS; e Max Felipe Vianna Gasparini, pesquisador convidado da ENSP/Fiocruz. A mediação foi de José Patrício Bispo Júnior, do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia (IMS/UFBA) e orientador de aprendizagem da especialização. Entre os aspectos destacados estiveram a diversidade dos territórios, o papel da comunicação e da educação permanente, a produção e o uso de informações, a articulação entre setores e equipes e a importância de criar espaços de reflexão sobre o próprio trabalho.

Foto: Júlia da Matta (ENSP/Fiocruz)
Integração, troca e continuidade das experiências
A plenária da tarde reuniu André Schmidt, coordenador executivo do Observatório do SUS (ENSP/Fiocruz); Bárbara do Nascimento Caldas, pesquisadora da ENSP/Fiocruz; e Antônio Ribas, especialista em gestão e políticas públicas de saúde, com mediação de Priscilla Contarato, orientadora de aprendizagem da especialização.
Entre os aspectos destacados estiveram a valorização do território e das relações construídas no cotidiano do trabalho, a importância da escuta e da articulação entre diferentes atores, a integração entre equipes e áreas, a construção coletiva das iniciativas e o potencial dos processos formativos para provocar reflexão sobre as práticas e estimular novos caminhos de atuação.

Foto: Júlia da Matta (ENSP/Fiocruz)
Um percurso que continua no trabalho
O encerramento das atividades reuniu os coordenadores da especialização Márcia Cristina Rodrigues Fausto, pesquisadora da ENSP/Fiocruz; Patty Fidelis de Almeida, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (ISC/UFF); Eduardo Melo; além de Jerônimo Vaz, assessor da Coordenação-Geral de Saúde da Família e Comunidade do Ministério da Saúde

Foto: Júlia da Matta (ENSP/Fiocruz)
Na plenária final, foi feito um balanço do percurso formativo, com destaque para a articulação entre os conteúdos do curso e os processos de trabalho dos participantes, a importância das microintervenções desenvolvidas ao longo da especialização e a perspectiva de continuidade das experiências e reflexões produzidas nos espaços de atuação profissional. Também foram feitos agradecimentos aos especializandos, tutores, orientadores de aprendizagem, autores dos materiais didáticos, avaliadores, equipe técnica e demais profissionais envolvidos na formação.
O encerramento reforçou ainda o caráter coletivo do processo formativo e a importância da aproximação entre formação, reflexão sobre a prática e cotidiano da gestão da Atenção Primária à Saúde.

Foto: Júlia da Matta (ENSP/Fiocruz)