Por Tatiane Vargas
Formação integra ações de acessibilidade e equidade da Vdal/ENSP e dá continuidade a processo de diagnóstico e planejamento iniciado em 2023.
Uma turma com cerca de 20 trabalhadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) participa de uma formação inicial em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A iniciativa da Vice Direção de Atenção à Saúde e Laboratórios de Saúde Pública (Vdal/ENSP) é voltada prioritariamente aos profissionais dos Centros Assistenciais da Escola e busca ampliar as possibilidades de comunicação e acolhimento de pessoas surdas nos serviços de saúde.

Realizada em parceria com o Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (Dihs/ENSP), a formação ocorre presencialmente, com encontros semanais de aproximadamente três horas. A primeira turma desse ciclo de formação está na metade do seu processo de aprendizagem.
De acordo com Patrícia Costa, integrante da Comissão de Diversidade e Equidade da ENSP, representando a Vdal, a iniciativa integra o planejamento da Vice Direção e a implementação da Política de Equidade, Diversidade e Inclusão. A proposta dá continuidade a um processo iniciado em 2023, que envolveu pesquisa, escuta e formação e proposição coletiva de propostas para serem desenvolvidas nos serviços.
“O principal objetivo é capacitar os trabalhadores dos Centros Assistenciais para melhorar o acolhimento e a comunicação com as pessoas surdas”, explica Patrícia. Segundo ela, a acessibilidade não se restringe às condições físicas dos espaços, mas também envolve a possibilidade de comunicação, compreensão e participação da pessoa no próprio cuidado.
Comunicação e acesso aos serviços de saúde
Inicialmente, a formação foi pensada para trabalhadores dos três Centros Assistenciais vinculados à ENSP/Fiocruz: o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF), o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) e o Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF). A prioridade são os profissionais que atuam mais diretamente no atendimento à população.
A proposta, no entanto, prevê ampliar o alcance da formação. Também estão sendo abertas vagas para trabalhadores dos Laboratórios de Saúde Pública vinculados à Vdal, e para a equipe da própria Vice Direção.
Para Patrícia, ampliar a capacidade de comunicação em Libras pode contribuir para reduzir barreiras enfrentadas por pessoas surdas nos serviços de saúde. “Promover equidade também significa adaptar os serviços para que essas diferenças não se transformem em obstáculos para o cuidado”, afirma. A formação busca favorecer o acolhimento, a compreensão das necessidades dos usuários e o entendimento das orientações oferecidas pelos profissionais.
Na prática, a expectativa é ampliar as condições para que pessoas surdas possam se comunicar diretamente com os serviços, expressar suas necessidades, compreender as orientações e participar do atendimento com maior autonomia. A iniciativa também pretende estimular a continuidade da formação dos trabalhadores, com a possibilidade de avanço para diferentes níveis de conhecimento em Libras.
Da identificação de necessidades ao planejamento
A capacitação em Libras é também um dos desdobramentos dos Planos de Ação elaborados a partir do seminário Por uma Agenda de Diversidade e Equidade na ENSP, realizado em agosto de 2025.
Segundo Patrícia, o seminário sistematizou discussões que já vinham sendo implantadas desde o segundo semestre de 2023 pela VDAL. O trabalho de pesquisa e formação desenvolvidos por essa vice desde essa data, são a base do planejamento da Vice direção e que apontam para a necessidade de ampliar a escuta realizada anteriormente nos Centros Assistenciais, o que permitiu identificar lacunas e necessidades relacionadas à equidade, à diversidade e à acessibilidade nos serviços.
Nesse processo, a necessidade de ampliar a capacidade de comunicação e acolhimento de pessoas surdas foi identificada como uma das questões a serem enfrentadas. A capacitação em Libras foi, então, incorporada aos Planos de Ação como uma medida para responder a essa necessidade. É importante destacar ainda, que a oferta de cursos de libras já foi efetivada anteriormente e direcionada para os Centros da ENSP e sempre com a cooperação do Dihs.
A iniciativa também dialoga com o Planejamento Estratégico Institucional da ENSP e com ações da Vdal voltadas à acessibilidade, à comunicação inclusiva e à qualificação dos trabalhadores. Para Patrícia, a formação faz parte de um movimento institucional mais amplo, que envolve diferentes áreas da Escola.
“Mais do que oferecer um curso, estamos dando continuidade a um processo”, afirma. A expectativa é que a formação contribua para que a acessibilidade seja considerada no planejamento, na comunicação e nas diferentes práticas que integram o cotidiano institucional.
Formação continuada
Embora os Centros Assistenciais tenham sido definidos como ponto de partida, a proposta não se restringe à assistência. A Política de Equidade, Diversidade e Inclusão da Vdal também contempla os Laboratórios de Saúde Pública, e a perspectiva é ampliar progressivamente a participação para trabalhadores de diferentes setores da ENSP.
A formação atual é voltada a trabalhadores que estão iniciando o aprendizado em Libras. A intenção é organizar novas turmas e, progressivamente, oferecer níveis mais avançados para aqueles que desejarem aprofundar seus conhecimentos.
A Vdal também prevê avaliar a experiência atual para aperfeiçoar a proposta e planejar novos ciclos. “A comunicação acessível exige investimento contínuo e não se constrói a partir de uma única capacitação”, destaca Patrícia.
A primeira turma desse novo ciclo já está em andamento. Após a conclusão, estão previstas a avaliação da experiência e a organização de novas ofertas de formação, tanto para trabalhadores que ainda não tiveram contato com Libras quanto para aqueles que desejam avançar nos conhecimentos da língua.
Para Patrícia, a formação também reforça a necessidade de transformar princípios como universalidade e equidade em práticas presentes no cotidiano dos serviços. “Não adianta termos a universalidade e a equidade como princípios se eles não se traduzirem na forma como organizamos os serviços, nos comunicamos e acolhemos as diferentes necessidades das pessoas”, afirma.