I Encontro do 2º Ciclo da Rede ColaboraAPS reúne experiências inovadoras da APS no Rio de Janeiro

O I Encontro do 2º Ciclo da Rede ColaboraAPS reuniu, entre os dias 24 e 26 de agosto, no Rio de Janeiro, gestores, profissionais da saúde e representantes das 21 experiências inovadoras selecionadas para esta nova etapa. O encontro marcou o primeiro momento presencial entre as equipes e possibilitou a apresentação das experiências, a troca de conhecimentos e a construção de estratégias de cooperação para o desenvolvimento do ciclo que acontecerá até dezembro de 2026. A programação foi realizada em dois espaços. O primeiro dia, 24 de agosto, aconteceu na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e contou com atividades abertas também ao público da Escola. Já as atividades dos dias 25 e 26 de agosto foram exclusivas para os participantes, incluindo visitas aos serviços da rede municipal de saúde do Rio de Janeiro.

Abertura marca início do segundo ciclo

O primeiro dia de atividades, realizado na ENSP/Fiocruz, teve início com a Mesa de Abertura, composta por Fernanda Fialho, representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS); Marco Menezes, diretor da ENSP/Fiocruz; Eduardo Melo, vice-diretor da Escola de Governo da ENSP/Fiocruz e coordenador da Rede ColaboraAPS; Camilo Cid, coordenador de Sistemas e Serviços de Saúde e Capacidades da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS); Arthur Fernandes, diretor de Programa da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS); e Maria Adriana Moreira, presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS) do Amazonas, representando as experiências municipais do segundo ciclo da Rede.

Em sua fala, Marco Menezes destacou a importância da articulação entre gestão, território e experiências inovadoras para a construção do segundo ciclo. Para ele, a nova etapa parte do aprendizado produzido no primeiro ciclo e amplia a construção coletiva envolvendo diferentes atores do SUS. “Na perspectiva do debate da gestão, do território, das experiências inovadoras, do papel da Atenção Primária, o segundo ciclo já chega de um lugar bem importante. Porque o primeiro ciclo, que foi sensacional, trouxe experiências também da perspectiva da gestão. Então, falando aqui também com os companheiros do Ministério, que são parceiros, acho muito importante essa perspectiva de fazer essa gestão junto com o Ministério, mas também com todas as pessoas dos movimentos sociais, do SUS, da gestão do SUS na ponta.”

Na sequência, foi realizada a conferência “Do acesso na APS ao cuidado em rede: quais obstáculos e caminhos?”, com o professor Gastão Wagner de Souza Campos (Unicamp) e coordenação de Juliana Fernandes (SAPS/MS). A atividade trouxe para o debate os desafios relacionados à organização do cuidado e ao trabalho multiprofissional na Atenção Primária à Saúde. Durante a conferência, Gastão destacou a importância de valorizar a experiência cotidiana dos profissionais e de incorporar a escuta da prática aos processos de trabalho e de gestão. “Isso é um exercício de educação para todos nós e está muito na ponta, naquilo que vocês podem adotar como diretriz. É algo simples, mas que pode mudar muita coisa: escutar a prática. Às vezes, ficamos muito concentrados apenas no caso clínico, mas é preciso escutar a prática e fazer isso de forma multiprofissional. Ao discutir a prática, não há como não discutir a gestão e o próprio modelo de atenção.”

Na parte da tarde, a programação foi dedicada apenas aos integrantes da rede e contou com a plenária “Apresentação da Rede e I Encontro Nacional”, conduzida por Eduardo Melo, que apresentou aspectos da trajetória da Rede ColaboraAPS e de seu primeiro ciclo, contextualizando a continuidade da iniciativa nesta nova etapa. Para Eduardo Melo, o segundo ciclo representa a continuidade e a atualização de uma estratégia de cooperação técnica construída entre as instituições. “Representa, além da continuidade da parceria ENSP/Fiocruz e SAPS/MS e da atualização de uma estratégia de cooperação técnica recente e inovadora, a agregação de um conjunto expressivo de novas experiências inovadoras no âmbito do acesso e da interface entre APS e atenção especializada, permitindo um olhar mais aprofundado sobre esses dois desafios da APS e do SUS, acompanhado de aportes técnicos e de forte cooperação horizontal entre as experiências.”

O 2º Ciclo da Rede ColaboraAPS está organizado em dois eixos estratégicos: Acesso à APS e Interfaces entre APS e atenção especializada nas redes de atenção à saúde. As 21 experiências, representantes de diferentes regiões do país, reúnem iniciativas diversas, desenvolvidas a partir das necessidades e desafios encontrados nos territórios. “As 21 experiências, de diferentes regiões do país, são diversas e ricas. É possível, a partir delas, não só olhar mais a fundo novas soluções para estes desafios no acesso e integração em rede que estão surgindo, mas também inspirar outras experiências e até mesmo as estratégias nacionais do SUS. Estas experiências também mostram, apesar de todos os desafios, a potência da APS e do SUS e a diferença que fazem na vida das pessoas”, destaca Eduardo.

Durante a tarde, as experiências participantes foram divididas em grupos simultâneos, organizados em diferentes salas da ENSP/Fiocruz. A atividade possibilitou a apresentação das iniciativas e o compartilhamento de práticas desenvolvidas nos territórios.

O primeiro dia foi encerrado com um momento de integração no Castelo Mourisco da Fiocruz, onde os participantes se reuniram para uma fotografia coletiva, registrando o início desta nova etapa.

Arte, inclusão e acesso a partir da perspectiva dos usuários

Na manhã do dia 25 de agosto, a programação exclusiva para os integrantes da rede teve início com a performance artística “O que você vê?”, apresentada por Moira Braga, atriz, bailarina, jornalista, pesquisadora, produtora cultural, preparadora de elenco e mestre em Dança. Artista com deficiência visual, Moira atua também como consultora em acessibilidade comunicacional e artística, desenvolvendo trabalhos relacionados às artes cênicas, à inclusão e às diferentes formas de percepção e participação no campo artístico. A presença da artista na programação dialogou com a proposta da Rede de ampliar a compreensão sobre acesso e cuidado a partir das diferentes experiências dos usuários. 

Na sequência, foi realizada a atividade “Acesso e cuidado a partir da perspectiva dos usuários”, com participação de Vanilson Torres, usuário do SUS, representante do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) com trajetória de atuação na defesa dos direitos das pessoas em situação de rua e na participação social em políticas públicas de saúde; e Silvia Giugliani, usuária da SUS com trajetória de atuação na participação social e na defesa do SUS, contribuindo para a discussão sobre o papel dos usuários idosos construção das políticas públicas de saúde. A atividade teve mediação de Eduardo Melo.

Na parte da tarde, a programação foi dedicada às atividades formativas e às Oficinas Temáticas, com discussões relacionadas aos desafios da Atenção Primária à Saúde. A atividade “Organização do acesso na APS”, facilitada por Danusa Graeff e Juliana Cipriano, promoveu a reflexão sobre estratégias para organizar o acesso aos serviços a partir das experiências desenvolvidas nos diferentes territórios.

Paralelamente, foram realizadas outras oficinas temáticas. Em “Vulnerabilidade familiar na APS: organizando o cuidado a partir do território”, as facilitadoras Hannah Farias e Lilian Cunha conduziram a discussão sobre a relação entre vulnerabilidades, território e organização das práticas de cuidado.

A oficina “Ampliação do cuidado mediada por incorporação de tecnologias na APS”, facilitada por Samara Rodrigues e Thais Coutinho, abordou o uso de tecnologias como estratégia para ampliar a capacidade de resposta da Atenção Primária e fortalecer o cuidado ofertado à população. Já a oficina “Regulação de acesso à atenção especializada a partir da APS”, facilitada por Eduardo Melo, discutiu os desafios relacionados à regulação e à articulação entre a Atenção Primária e os demais pontos da rede de atenção.

O segundo dia também contou com a Sessão Cine Experiências APS, com a exibição dos webdocs das experiências do 1º Ciclo da Rede ColaboraAPS. A sessão permitiu aos participantes conhecer iniciativas desenvolvidas durante a etapa anterior e identificar aprendizados que podem contribuir para o percurso do segundo ciclo.

Visitas aos serviços aproximam participantes do cotidiano da rede

No dia 26 de agosto, a programação contou com atividades externas. Um dos destaques foi a visita a serviços da rede municipal de saúde do Rio de Janeiro, que possibilitou aos representantes de cada experiência conhecerem de perto diferentes formas de organização do cuidado. Os grupos realizaram visitas à Clínica da Família Estácio de Sá e ao Super Centro Carioca de Especialidades.

Em paralelo, os demais integrantes das experiências participaram do Café Mundial “Integração de cuidados em rede a partir da APS”, espaço de diálogo e troca entre os participantes sobre estratégias de integração do cuidado e articulação entre diferentes pontos da rede. A metodologia favoreceu a circulação dos participantes entre diferentes grupos de discussão, permitindo o compartilhamento de experiências na APS. 

A manhã encerrou com a atividade “Tecnologias para uma APS mais resolutiva: uma experiência imersiva com os equipamentos”, que apresentou aos participantes uma experiência de realidade virtual voltada à modernização das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Durante a atividade, os participantes utilizaram óculos de realidade virtual para conhecer, de forma imersiva, uma Unidade Básica de Saúde modernizada. Por meio de um ambiente tridimensional, interativo e apresentado em 360 graus, a experiência permitiu percorrer virtualmente o espaço e conhecer, na prática, novos equipamentos que integram o combo para UBS. Entre os equipamentos demonstrados estavam ultrassom portátil, retinógrafo e eletrocardiógrafo. A experiência permitiu que os participantes visualizassem como os recursos podem ser incorporados ao cotidiano dos serviços, contribuindo para uma APS mais resolutiva.

A programação contou ainda com uma atividade dedicada ao Ambiente Virtual Colaborativo e à Vitrine Virtual, na qual os participantes das experiências puderam conhecer melhor as ferramentas e tirar dúvidas sobre a utilização da plataforma. O espaço virtual será utilizado ao longo do segundo ciclo como ferramenta de comunicação, registro e compartilhamento, contribuindo para manter a conexão entre as experiências mesmo durante os períodos entre os encontros presenciais e os intercâmbios territoriais.

Na parte da tarde, os participantes foram divididos em grupos simultâneos para as atividades de “Orientações e pactuações sobre o desenvolvimento do ciclo”, realizadas em 4 salas.  Os encontros tiveram como objetivo alinhar as próximas etapas do segundo ciclo, orientar os participantes sobre o percurso da Rede e pactuar estratégias para o desenvolvimento das atividades de cooperação e aprendizagem previstas para os próximos meses. 

O encerramento do encontro aconteceu com a plenária “Sintoniza ColaboraAPS: memórias do encontro, desdobramentos e perspectivas para o percurso na rede”. A atividade reuniu os participantes para uma síntese dos principais momentos do encontro, retomando os aprendizados e as discussões realizadas ao longo dos três dias. 

Sobre o ciclo 2

Ao longo do ciclo, as equipes participarão de diferentes atividades de aprendizagem e cooperação, incluindo viagens de intercâmbio entre os territórios, intercâmbios virtuais, atividades formativas e processos de sistematização das experiências, além de ações voltadas ao reconhecimento e à divulgação das práticas desenvolvidas pelas equipes.

Uma das estratégias centrais será a realização de intercâmbios entre as experiências, com visitas das equipes aos territórios umas das outras. Os processos de imersão terão duração de três a cinco dias e buscarão ampliar a troca de conhecimentos a partir da observação direta das práticas e dos contextos em que elas são desenvolvidas.

As 21 experiências foram selecionadas por meio da segunda Chamada Pública da Rede ColaboraAPS, destinada a identificar iniciativas inovadoras relacionadas aos temas definidos para o segundo ciclo. O processo buscou reunir experiências de diferentes contextos e territórios, considerando sua relevância diante dos desafios da APS e seu potencial para contribuir para a aprendizagem colaborativa entre os participantes.

Sobre a Rede ColaboraAPS

A Rede ColaboraAPS resultado de uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz, com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde. Criada com o propósito de fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS), a Rede busca ampliar processos de aprendizagem colaborativa, promover intercâmbios entre equipes e incentivar a cooperação horizontal entre diferentes territórios e experiências no SUS.

A iniciativa fomenta a circulação de saberes entre territórios, promove intercâmbios entre equipes, impulsiona a produção de conhecimento e incentiva processos de aprendizagem colaborativa. Nos próximos meses, as ações da Rede seguem com intercâmbios virtuais e presenciais, além de processos de sistematização e compartilhamento de aprendizados.