A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) está com inscrições abertas para o curso “Capacitismo: estratégias para o enfrentamento na Saúde, Educação, Trabalho e Moradia”. A formação é gratuita, on-line e voltada a gestores públicos, profissionais de saúde, assistência social e educação, integrantes de movimentos sociais e demais interessados. São oferecidas 2000 vagas, e o curso tem carga horária de 80 horas, que pode ser cumprida no ritmo de cada participante. As inscrições para a primeira turma vão até 14 de setembro e as aulas começam em 21 de setembro: Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

Coordenado pela pesquisadora Laís Silveira Costa, o objetivo do curso é ajudar os participantes a identificar o capacitismo no cotidiano, nas instituições e nas estruturas e regras que regem as relações sociais e produtivas, incluindo as políticas públicas.
“Capacitismo é um sistema de opressão que elege um certo tipo de padrão corporal como perfeito e, a esteio, gera desvantagens e marginaliza as pessoas com deficiência. Muitas pessoas têm atitudes capacitistas sem entender o que isso significa ou quando isso se materializa”, explica Laís.
A discriminação nem sempre se manifesta de forma explícita, mas cria barreiras ao bem-estar e ao acesso a direitos das pessoas com deficiência:
“Ela pode se materializar quando alguém superprotege uma pessoa. Você vê uma pessoa em uma cadeira de rodas e coloca a mão na cadeira sem antes oferecer ajuda, para verificar se esse é o desejo da pessoa. Também aparece quando não se garante acessibilidade para que essa pessoa ocupe os mesmos espaços que as demais”, afirma a pesquisadora.
Laís destaca que o capacitismo também está nas instituições:
“Quando criamos regras que não consideram todas as formas de ser e estar no mundo, naturalizamos barreiras à participação, como se o problema estivesse na pessoa”.
A proposta é debater como certas práticas e normas excluem pessoas com deficiência nas áreas de saúde, educação, trabalho e moradia, mesmo sem a intenção explícita de discriminar. O debate ganha relevância após a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência completar dez anos, em 2025. A legislação assegura a igualdade de oportunidades e classifica como discriminação a recusa de adaptações razoáveis e tecnologias assistivas.
De acordo com o Censo 2022, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência a partir de 2 anos (7,3% da população). A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que barreiras no acesso à saúde e desigualdades sociais fazem com que pessoas com deficiência cheguem a morrer até 20 anos mais cedo. Durante a pandemia de Covid-19, a chance de morrer entre pessoas com deficiência intelectual foi até oito vezes maior. Em resposta a esse cenário, a OMS lançou em 2025 a Disability Health Equity Network.
A nova formação da ENSP busca responder a essa demanda:
“A gente precisa fazer esse letramento, entender o que é o capacitismo e qual é o nosso papel no seu enfrentamento”, diz Laís, completando que o conteúdo foi desenvolvido com a participação de pessoas com e sem deficiência, que conta com recursos de acessibilidade, e pode ser acessado pelo computador ou celular.
Serviço:
Curso: Capacitismo: estratégias para o enfrentamento na Saúde, Educação, Trabalho e Moradia
Instituição: ENSP/Fiocruz
Modalidade: On-line e autoinstrucional
Carga horária: 80 horas
Vagas: 2000
Inscrições: Até 14 de setembro
Início: 21 de setembro
Público alvo: Gestores públicos, trabalhadores da saúde, assistência social e educação, movimentos sociais e demais interessados
Informações: cursosqualificacao.campusvirtual.fiocruz.br/hotsite/capacitismo/14470