
Diretor-geral da FAO, QU Dongyu, entrega reconhecimento a Luena Pataxó e Joana Rodrigues
As pescadoras artesanais Luena Pataxó e Joana Rodrigues Mousinho foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como duas das 100 Mulheres Heroínas dos Sistemas Agroalimentares e do Desenvolvimento Rural. A cerimônia ocorreu em 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural, na sede da FAO, em Roma, no âmbito do Fórum Mundial da Alimentação 2026 e das celebrações do Ano Internacional da Agricultora. As duas representaram o Brasil e receberam o reconhecimento das mãos do diretor-geral da FAO, QU Dongyu.
A FAO recebeu 609 indicações de 131 Estados-membros. A lista final foi aprovada pelo Comitê de Direção Superior da organização e reúne mulheres de diferentes regiões e profissões, entre elas mulheres de 20 países da América Latina e do Caribe.
Guardiãs de Conhecimentos e Saberes dos Povos das Águas
Luena e Joana integram a Rede de Guardiãs de Conhecimentos e Saberes, criada pelo Ministério das Mulheres e lançada em junho, durante o 6º Fórum Nacional de Políticas Públicas para Mulheres da Pesca, Aquicultura Artesanal e Marisqueiras, realizado pela Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados (SENAEC/MM).
A Rede reúne pescadoras artesanais com representação das cinco regiões do país. Seu objetivo é fortalecer a participação social e incorporar as demandas dos territórios às políticas públicas, colocando o protagonismo e o conhecimento tradicional das mulheres das águas no centro das decisões sobre autonomia econômica, direitos e proteção social.

Lançamento da Rede Guardiãs de Conhecimentos e Saberes dos Povos das Águas
Projeto Mulheres Pescadoras
Além de Guardiãs, Luena e Joana participam das ações do projeto Mulheres Pescadoras de Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental. A iniciativa é desenvolvida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) em articulação com o Ministério das Mulheres (MM), por meio da SENAEC, e em diálogo institucional com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).

O projeto Mulheres Pescadoras investiga os impactos das desigualdades sobre a saúde, o trabalho e as condições de vida das pescadoras artesanais.
O projeto Mulheres Pescadoras investiga os impactos das desigualdades sobre a saúde, o trabalho e as condições de vida das pescadoras artesanais.
O projeto investiga os impactos das desigualdades de gênero, raça e território sobre a saúde, o trabalho e as condições de vida das pescadoras e marisqueiras artesanais. A pesquisa articula ciência e saberes tradicionais para compreender os efeitos da contaminação por mercúrio e metais pesados, dos agrotóxicos, da crise hídrica, do colapso climático e dos conflitos territoriais nas comunidades pesqueiras. Entre suas ações estão a rede das Guardiãs, oficinas e seminários nacionais, estudos epidemiológicos, cartografia social e mapeamento georreferenciado de áreas de risco socioambiental, sempre com a participação ativa das próprias pescadoras.
Ofício à embaixadora do Brasil em Roma
Durante a estadia em Roma, as Guardiãs entregaram à embaixadora Carla Barroso Carneiro, Representante Permanente do Brasil junto à FAO, ao Programa Mundial de Alimentos (PMA) e ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), um ofício em nome do pesquisador Hermano Castro, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH/ENSP/Fiocruz).

Guardiãs entregam ofício à embaixadora Carla Barroso Carneiro
O documento apresenta as ações do projeto, organizadas em 13 frentes estruturantes. Entre elas estão a articulação interministerial, o mapeamento das comunidades pesqueiras, a identificação de territórios prioritários diante das mudanças climáticas, estudos sobre exposição a agrotóxicos, mercúrio e metais (incluindo comunidades atingidas por rompimentos de barragens), propostas de economia solidária e a produção do primeiro Boletim Epidemiológico Nacional da Saúde das Mulheres das Águas.
Considerando a atuação da FAO, do PMA e do FIDA em segurança alimentar, sistemas alimentares sustentáveis e desenvolvimento rural, o texto manifesta o interesse do projeto em estabelecer parcerias e intercâmbios internacionais para a pesca artesanal, equidade de gênero, saúde das trabalhadoras, proteção dos territórios e direito humano à alimentação adequada.
A proposta é dar visibilidade às experiências das pescadoras brasileiras, fortalecer redes de cooperação e desenvolver iniciativas que articulem justiça climática, equidade em saúde, autonomia econômica e valorização dos conhecimentos populares e ancestrais, considerando o protagonismo das pescadoras na produção de conhecimento, na preservação da sociobiodiversidade e na defesa dos territórios