Pesquisadores da ENSP/Fiocruz participam do 18º Congresso Mundial de Saúde Pública

Pesquisadores da ENSP/Fiocruz Cristiani Viera Machado e Marcelo Fornazin no do 18º Congresso Mundial de Saúde Pública ao lado de colegas da Fiocruz e de outras instituições internacionais

Por Bruna Abinara

Os pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) Cristiani Viera Machado e Marcelo Fornazin participaram do 18º Congresso Mundial de Saúde Pública (WCPH). Sob o tema "Saúde sem Fronteiras: Equidade, Inclusão, Sustentabilidade", o evento foi realizado na Cidade do Cabo, na África do Sul, entre 6 e 9 de setembro. O congresso reuniu mais de dois mil formuladores de políticas, pesquisadores, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil de todo o mundo para reafirmar a saúde como direito humano universal e bem público global, reconhecendo que as crises contemporâneas exigem respostas solidárias que transcendam fronteiras nacionais.

Para Cristiani Machado, o Congresso representou um momento de intensa troca: "Havia pesquisadores da ENSP e de outras unidades da Fiocruz — de Pernambuco e de Minas Gerais, por exemplo. Nós ficamos bastante mobilizados com a experiência e o aprendizado, que só reforçaram a importância da cooperação Sul-Sul com os países da África, voltada para a soberania sanitária, pautada pela solidariedade e pelo compromisso com a saúde de todos os povos."

"O Congresso Mundial de Saúde Pública é muito interessante porque reúne pesquisadores e representantes das associações de saúde pública do mundo todo, debatendo temas de fronteira e avanços do conhecimento, como as relações entre democracia, equidade e sistemas de saúde, a governança da inteligência artificial em saúde, e os impactos das mudanças climáticas", reforçou Marcelo Fornazin. "O debate mostra o quanto o Brasil tem uma abordagem arrojada e sofisticada a partir da perspectiva da saúde coletiva. Isso envolve a gestão do sistema de saúde, o direcionamento político e a importância dos sistemas públicos e universais. São elementos que caracterizam a proposta brasileira para a saúde pública". 

Desafios e caminhos para a saúde no Sul Global

Com palestras, mesas e painéis voltados ao debate sobre temas estratégicos para o fortalecimento da pesquisa em saúde e dos sistemas públicos de saúde nos países do Sul Global, a programação visou responder aos desafios sanitários contemporâneos e melhorar as condições de saúde dos povos. 

Cristiani Machado apresentou trabalho em três painéis no Congresso. Na sessão sobre Sistemas de Saúde, integrou a discussão com a pesquisa “Global Health and Latin America: Challenges to Health Systems in an Unequal World”, que abordou as conexões entre as transformações na saúde global e nos sistemas de saúde da América Latina entre 2010 e 2025.

Cristiani Machado em frente ao painel do evento

 

Em outra sessão, intitulada “Making sense of the national in National Health Insurance”, a pesquisadora compartilhou a experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil e debateu diferentes trajetórias nacionais em direção a metas comuns de saúde universal com pesquisadores da África do Sul, de Botswana, da Coreia do Sul e do Reino Unido.

Por fim, em uma discussão dedicada a modelos de organização e parceria entre Institutos Nacionais de Saúde Pública, Cristiani trouxe resultados e aprendizados da cooperação Sul-Sul em saúde”. Um exemplo é a  experiência de cooperação estruturante entre a Fiocruz, do Brasil, e o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique.

Saúde digital em debate no Sul Global

Marcelo Fornazin participou da mesa "National Digital Health Strategies in The Global South: Comparative Perspectives on Governance, Data and Health Systems Strengthening". A mesa que teve o apoio da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 promoveu um debate comparativo sobre estratégias nacionais de saúde digital no Sul Global, reunindo as experiências do Brasil, da China e de Moçambique. 

Marcelo Fornazin em apresentação de trabalho durante o Congresso

 

A discussão abordou diferentes trajetórias de formulação e implementação dessas estratégias, destacando aspectos relacionados à governança, infraestrutura e integração de dados, regulação, uso de tecnologias digitais e inteligência artificial e fortalecimento dos sistemas de saúde. Segundo o pesquisador, a comparação permitiu identificar aproximações e diferenças entre os três países quanto ao papel do Estado, às prioridades das políticas públicas e aos desafios para orientar a transformação digital segundo as necessidades dos sistemas nacionais de saúde.

"Representar a Fiocruz e falar sobre saúde digital nesse evento foi uma grande oportunidade. Participei de uma mesa e coordenei sessões de apresentação de trabalhos. Houve uma grande participação brasileira, com muitas pesquisadoras e pesquisadores de várias instituições do país participando do congresso. Foi muito interessante debater com colegas de outros países e ver como o Brasil está bem representado nesse espaço", contou Fornazin.

Intercâmbio e cooperação em saúde

Os pesquisadores destacaram a possibilidade de interagir com profissionais de diferentes países e regiões do mundo. Para eles, esse intercâmbio de experiências é fundamental para fortalecer os sistemas públicos de saúde, tanto pela troca de conhecimentos quanto por permitir novas oportunidades de cooperação institucional e acadêmica.

Cristiani Machado com colegas internacionais em apresentação de trabalho

 

Machado explicou que essa foi a primeira edição do Congresso Mundial de Saúde Pública realizada na África. A novidade favoreceu a participação de muitos pesquisadores da região. "O tema geral do Congresso, 'Saúde sem Fronteiras: Equidade, Inclusão, Sustentabilidade', explicita questões estratégicas que foram debatidas: as transformações geopolíticas mundiais, os grandes desafios da saúde global que transcendem fronteiras, assimetrias tecnológicas, mudanças climáticas, saúde digital, desigualdades em saúde", enumerou.

As centenas de atividades e debates realizados estão refletidos na Declaração Final do Congresso. Entre os pontos importantes, a pesquisadora ressaltou a importância do multilateralismo e dos acordos internacionais; o fortalecimento da atenção primária abrangente em sistemas de saúde públicos e universais; a valorização da abordagem de Uma Só Saúde e dos saberes tradicionais; a preocupação com as situações de guerra, conflitos, deslocamentos forçados, crises humanitárias e crimes contra a vida; e a indissociabilidade entre democracia e saúde.

Marcelo Fornazin com colegas internacionais durante atividade do Congresso